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1º de Abril - Dia da Verdade

Poucas foram as horas que separaram a Última Ceia e Lava-Pés dos acontecimentos que culminaram na Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus. Nesse curto espaço de tempo, da noite da Ceia até a manhã que antecedeu a crucificação, percebe-se pela leitura dos evangelhos, especialmente no de João, um mistério sobre a verdade.


Durante toda Ceia, momento em que Jesus se pôs também a lavar os pés dos apóstolos, Ele falou abertamente sobre sua missão. Em toda essa narrativa pode-se destacar sua afirmação de ser o Caminho, a Verdade e a Vida (cf. Jo 14,6), a Videira verdadeira (cf. Jo 15,1), além de citar o Espírito da Verdade como Aquele que guiará em toda verdade (cf. Jo 16,13) e a sua oração com o Pai, afirmando que a palavra d’Ele é a verdade e aqueles que crerão serão consagrados nela (cf. Jo 17,17).


Também, no momento de sua agonia, Jesus foi ao outro lado da torrente do Cedron, conhecido como o jardim das Oliveiras e lá não escondeu sua identidade. Os guardas do sumo sacerdote, guiados por Judas Iscariotes, procuravam por Jesus, que não mentiu ou se escondeu, mas afirmou: “Sou eu” (cf. Jo 18, 4-8). Já preso, diante do sumo sacerdote Anás, Jesus respondeu sobre seus discípulos e ensinamentos: “Eu falei abertamente ao mundo. Eu sempre ensinei nas sinagogas e no templo, onde os judeus se reúnem. Nada falei as escondidas” (cf. Jo 18, 19-20). Diante do governador Pilatos um diálogo intrigante surgiu, como se um desfecho desse discurso misterioso sobre a verdade: “Eu nasci e vim ao mundo para isto: para dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz. Pilatos lhe disse: “Que é a verdade?”


Curiosamente nesse ano de 2010 a quinta-feira santa será celebrada no famoso 1º de abril, dia da mentira. A Missa da Ceia do Senhor com o rito de Lava-pés marca o início do Tríduo Pascal e a Liturgia da Palavra dessa celebração é baseada nas leituras bíblicas que se voltam justamente para os últimos momentos de Jesus antes da Paixão.


Vasculhando na internet acham-se várias explicações para o dia da mentira. Algumas irônicas, outras mais históricas, mas um verdadeiro motivo para o surgimento desse dia não há. Talvez essas diversas explicações surgiram através de próprias mentiras ou meias-verdades.


Não quero aqui julgar a validade desse dia como brincadeira, nem ser radical dizendo que mesmo sendo uma descontração ligar para um amigo e contar uma mentirinha só para assustar seja algo pecaminoso e imoral. Mas uma coisa é verdade: acostumamos com elas e esse e os outros 364 dias do ano estão repletos de pequenas e grandes mentiras que tem contaminado o coração do homem.


Filhos mentem dentro de casa para os pais e esses mentem para os filhos, mente-se no trabalho para disputas e promoção pessoal, mente-se no comércio para sempre se levar vantagem, também no pagamento dos impostos e no governo, nos relacionamentos para que se seja aceito no meio social, entre amigos, namorados e casados, mente-se a idade também com um intuito de aceitação ou até mesmo por não se saber esperar o tempo certo para cada coisa, mente-se para o outro simplesmente pelo prazer de mentir ou por costume e para si mesmo.


Assim, o coração do homem tem se fechado em uma própria prisão.


Há algo que não se pode negar: quando se fala a verdade tem-se a sensação de liberdade interior. Quando algo é desmentido, são reconhecidos erros, perdões são dados ou recebidos, popularmente e sinceramente as pessoas proclamam um “alívio no coração” ou “peso retirado das costas”. Algo que talvez ilustre bem essa sensação seja o filme “Os últimos passos de um homem”, em que um criminoso se liberta de uma prisão muito maior do que muros e grades de ferro: uma prisão interior.


E a verdade, onde está? Por que se mente tanto? Medos, inseguranças, desconhecidos?


Jesus, em sua imensa bondade vem revelar essa verdade, que é Ele mesmo. “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (cf. Jo 14,6). Sendo apenas um homem, segurança nenhuma se teria em acreditar n’Ele como a Verdade. Porém, sendo Deus, profundamente humano e homem, profundamente Divino, Ele se revela como a verdade que liberta os corações. Sendo Deus, Ele conhece os homens muito mais do que eles mesmos. Ele te conhece muito mais do que você mesmo se conhece.


Seja qual for a base ou fundamento das suas mentiras, mesmo que imperceptíveis em orgulhos e vaidades, deixe-se se alcançado por Ele que caminha ao seu lado. Dizer a verdade em tudo abrirá portas para que as obras de Deus se manifestem (cf. Jo 9, 3) em um mundo de pessoas aprisionadas. Peça a graça da Verdade, a de conhecer Deus e a graça de se conhecer. Assim será proclamado não só esse dia, mas todos os outros como o Dia da Verdade.


 “...e conhecereis a verdade, e a verdade vos tornará livres” (cf. Jo 8, 32)


Uma Feliz e Santa Páscoa, passagem para a liberdade!


Mateus Rodrigues Silva


Projeto Jovem Fanuel


 


 


À vitima pascal vinde, cristãos, imolar louvores.


O Cordeiro redimiu as ovelhas: Cristo inocente reconciliou com o Pai os pecadores.


Morte e vida travaram admirável combate; o Senhor da vida, tendo morrido, agora reina vivo.


Dizei-nos, Maria, o que vistes no caminho?


Vi o sepulcro de Cristo, que vive, e sua glória de ressuscitado.


Vi as testemunhas angélicas, o sudário e as vestes.


Cristo minha esperança, ressuscitou e vos precederá na Galiléia.


Sabemos, sim, que Cristo ressuscitou dos mortos. Vós, ó Rei vitorioso, tende misericórdia de nós.


Amém. Aleluia.


 (Música Victimae Pascháli Laudes - Os cavaleiros do novo milênio)




 

 
 

 
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